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Enquanto Itaú supera expectativa de lucro, funcionário morre dentro da agência

Condições péssimas de trabalho seguem adoecendo e matando os trabalhadores de nossa categoria

No dia 8 de agosto, um funcionário do Itaú da agência Vila Ema, zona leste de São Paulo, faleceu dentro do banco. O bancário, gerente operacional da unidade, passou mal e desmaiou. Segundo informação divulgada pelo site do Sindicato dos Bancários de SP, o socorro demorou e quando tentaram reanimá-lo com desfibrilador, já era tarde demais.

A verdade é que a rotina de trabalho nas agências bancárias é o condicionante primeiro para que seja tarde demais qualquer socorro médico. Os bancários sofrem com condições péssimas de trabalho, assédio moral, pressão por resultados e o risco constante de demissão.

Os bancários que presenciaram o falecimento deste colega contam que o dia a dia na unidade é desgastante, com pesadas cobranças de metas.

A empresa é a responsável principal por mais esta morte entre os de nossa categoria. Em tempos de crise, o Itaú superou expectativas e obteve lucro de R$ 6,2 bilhões no segundo trimestre. A expectativa não chegava aos 6 bilhões. Ainda assim, com uma alta de 12,7% em um ano, o banco, conforme noticiado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, nos últimos 12 meses eliminou 961 postos de trabalho.

Este cenário acarreta aumento do estresse, causando adoecimento psíquico dos trabalhadores, incluindo o aumento no número de suicídios, que na categoria bancária, por exemplo, já é extremamente elevado – pesquisa recente mostra o número alarmante de 1 suicídio a cada 20 dias*.

De acordo com matéria publicada pela Oposição na Cassi, o relatório do Dieese de 2016 aponta que os afastamentos por doença ocupacional chegaram a quase 181 mil casos em 2014, e que segundo dados coletados entre 2009 e 2015, divulgados pelo Ministério do Trabalho, quase 97 mil pessoas foram aposentadas por invalidez decorrente de transtornos psíquicos, muitos deles desencadeados no próprio ambiente de trabalho.

Nós da Oposição na Cassi consideramos urgente a necessidade de transformar nossa indignação em luta. Não aceitamos que sejam feitos sempre novos anúncios de lucros bilionários enquanto nossas condições de trabalho pioram a cada dia. Enquanto adoecemos e morremos até mesmo nas agências bancárias. Isso não é normal. Não é admissível. Não aceitaremos.

 
*(SANTOS, Marcelo Augusto Finazzi. Patologia da Solidão: o suicídio de bancários no contexto da nova organização do trabalho. Dissertação de mestrado apresentada a FACE-UNB, 2009)

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