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A Lógica do Novo PDG BB | Por Oposição Bancária de São Paulo

No dia 03/01, o BB anunciou a ampliação do público do PDG (Programa de Desempenho Gratificado), que nada mais é do que um programa de remuneração variável, que premia funcionários pelo cumprimento de metas. À primeira vista, pode parecer uma boa notícia, afinal, pode aumentar um pouco a remuneração de alguns colegas e significar um reconhecimento por um trabalho que atualmente já fazem. Mas como nem tudo é o que parece, explicamos porque o PDG e sua ampliação não é um bom negócio para os funcionários.

 

1) O PDG não premiará a todos os funcionários. Os funcionários da área meio e diretorias estão fora do programa, mas, mesmo na área negocial, que está contemplada, nem todos os funcionários que cumprirem as metas serão premiados. No caso dos escriturários, por exemplo, somente 30% da dotação poderá receber alguma premiação e somente 10% receberá a pontuação máxima.

 

2) Entre aqueles que serão premiados, a premiação é extremamente desigual. No caso do grupo dos Superintendentes e Gerente Nacional de Cobrança e Restruturação de Ativos Operacionais, 100%, ou seja, TODOS que atingirem a pontuação vão receber um percentual do programa. No caso dos escriturários, caixas, assistentes e gerencia media, 10% vão receber o valor cheio do programa, os 10% abaixo vão receber 0,5 e os próximos 10 receberão 0,25%. Isso significa que 70% da grande maioria dos funcionalismos do BB não vai receber nada. Além do mais, como o multiplicador incide sobre o Valor de Referência da Comissão, valoriza os maiores valores de referência da categoria.

 

Um exemplo hipotético: Se o PDG de CAIEX fosse R$4000,00 e a dotação de caixa fosse de 5000 funcionários. Somente 500 receberiam os 4000 reais, outros 500 receberiam 2000 reais e outros 500 receberiam a fortuna de 1000 reais. Os 3.500 restantes nada receberiam.

 

3) Saúde não tem preço!
O pequeno percentual de premiados terá duas consequências principais: o aumento da pressão para o atingimento das metas e a elevação da competição entre os colegas a níveis nada saudáveis. Além disso, o assédio para o cumprimento das metas aumentará, já que algumas pontuações serão por dependência. Por sua vez, estes fatos trarão como consequência o aumento no nível de adoecimento da categoria, que já alcança níveis bastante altos entre os bancários e também o número de demissões por justa causa, já que, diante da pressão, muitos colegas acabam por descumprir normas para atingir metas.

 

4) Aí você pode perguntar: mas eu já sou cobrado e até assediado para cumprir metas, então não é melhor que ao menos eu seja remunerado por isso?

Primeiramente, vamos aproveitar a ocasião para desfazer um mito: os escriturários, caixas e assistentes não têm o recebimento da sua PLR vinculada ao cumprimento de metas, ao contrário do que muitos gerentes nos dizem para nos “motivar”. Somente o módulo bônus da PLR está vinculado ao resultado da dependência e isso afeta a PLR dos cargos mais altos. Ou seja, atualmente, nenhuma remuneração está vinculada ao cumprimento de metas para escriturários, caixas e assistentes. O PDG seria o primeiro caso e, como já explicamos acima, trará como resultado uma piora nas condições de trabalho, na relações entre os colegas e aumento no nível de adoecimento. Este é um preço muito alto a ser pago. Mesmo que o funcionário cumpra as metas ele pode não receber PDG, basta uma operação importante da dependência que esteja inadimplente para derrubar a rentabilidade da agencia jogando para baixo o conexão.

 

5) PDG não é salário! Então não terá reflexo sobre nenhum dos nossos direitos.
Vamos falar sobre CASSI e PREVI.
Toda vez que se cria uma remuneração sobre a qual o banco e o funcionário não pagam seus percentuais para a CASSI e a PREVI significa um enfraquecimento delas. Com o passar dos anos, o PDG pode se tornar fator importante na remuneração do funcionalismo, como acontece hoje com a PLR. Isso, sem dúvida, enfraqueceria a PREVI e a CASSI.
Mas não é só CASSI e PREVI. A remuneração via PDG não terá reflexos sobre nenhum direito, como FGTS e INSS, ou seja, não levamos nada para aposentadoria. E, para evitar que você questione depois judicialmente, o Banco tomou o cuidado de pagar com o Cartão Alelo, para descaracterizar o benefício como salário. Aí você pode pensar: ah, mas o bom de receber pelo Alelo é que não incidirá IR. Errado! O banco já avisou que vai descontar o IR antes de repassar o valor ao cartão Alelo.

 

6) O que nós precisamos é de salários melhores, pois estes não podem ser tirados de nós.
O PDG e as comissões nos deixam reféns do banco e seus resultados e da situação econômica do país. Por exemplo, a queda do lucro fez com que a PLR despencasse, as reestruturações fizeram com que muitos funcionários perdessem a maior parte dos seus salários com a perda de comissões. O salário você leva para a aposentadoria e tem reflexo em todos os seus direitos.

 

7) Por que o BB lançou o PDG agora?
O BB desde o governo FHC tem uma política de não priorizar a questão salarial. Através das comissões, trabalhava com ideia que a melhoria da vida aconteceria através do esforço individual. Por isso distribuiu comissões para grande parte do funcionalismo, chegamos a ter mais de 70% do funcionalismo com comissões. O problema que com a restruturações, as comissões começaram a desaparecer. O novo modelo de atendimento levará a situação em que, nas agencias haverá maior parte de escriturários e caixas, ou seja, ser comissionado tem virado um sonho distante. Então o banco criou um novo pirulito para enganar as crianças.

 

8) Porque a oposição afirma que precisamos lutar por salário?
Porque salário ninguém pode nos tirar. O PDG e as comissões nos deixam refém do banco e da situação econômica do país. Por exemplo, a queda do lucro fez com que a PLR despencasse, sendo que a responsabilidade dessa situação não é dos funcionários. As reestruturações fizeram com que muitos funcionários perdessem maior parte do seu salário com a perda de comissões. O salário você leva para aposentaria e tem reflexo em todos os seus direitos.

 

9) O Banco quer que o funcionário fique na mão do chefe.
A pontuação da GDP ( Avaliação de Metas) se considerada somente avaliação do superior e do subordinado. Isso significa que auto avaliação e avaliação dos pares não são considerados no PDG.

Então devemos estar bem atentos a todos esses detalhes implícitos.
Oposição Bancaria de São Paulo

 

 

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