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A CASSI está em risco | Texto de Karen Simone D’Ávila

No dia 26 de janeiro desse ano, a assistência à saúde dos empregados das estatais brasileiras sofreu um duro golpe.

Com a publicação da resolução n°23, da CGPAR (Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União), que estabelece mudanças profundas nas autogestões de saúde, poderemos sofrer aumento insustentável do custeio dos planos de saúde, principalmente para aposentados e doentes graves, na redução da assistência à saúde desses trabalhadores e seus dependentes e, ainda pior, podendo provocar o fechamento de muitas dessas entidades de assistência à saúde.

Nós, trabalhadores do Banco do Brasil, criamos a Cassi, nossa Caixa de Assistência à Saúde dos Funcionários do BB, há mais de 70 anos. Ela cuida de mais de 700 mil vidas, tem um rol de procedimentos dos mais completos do Brasil. A Cassi tem o princípio da solidariedade, que garante atendimento igualitário a todos os associados e dependentes, mediante contribuição proporcional a renda salarial, e a MESMA cobertura assistencial para aposentados e funcionários da ativa, criando um sistema justo, solidário, distributivo e eficiente.

A resolução citada é perversa e vai beneficiar os planos de saúde privados e sobrecarregar ainda mais de o SUS – Sistema Único de Saúde, gerando o caos na vida de quem não suportar pagar os novos custos e tiver que buscar atendimento num sistema desconhecido e sucateado pelo governo federal, que congelou investimentos na saúde pública por 20 anos.

A realidade é ainda pior, essa resolução LIMITA gastos em saúde das estatais federais. O §3° do art. 3° diz que a empresa estatal não poderá exceder a contribuição dos empregados. Esta é uma clara manobra de retirada de direitos, onerando o trabalhador e livrando as grandes empresas estatais de suas obrigações.

Querem impor à classe trabalhadora a mesma contribuição dos bancos federais e demais estatais, mas basta compararmos o lucro dessas empresas para ver o quanto essa resolução é injusta e inaceitável.

Lutaremos em defesa da nossa Cassi, da completa assistência à nossa saúde. Vamos romper com o imobilismo das diretorias da maioria dos sindicatos e da CONTRAF/CUT.

Há a necessidade imediata da convocação de um encontro nacional aberto para debater a as questões da Cassi e de uma plenária que reúna o conjunto de funcionários das estatais.

Precisamos nos unir para enfrentar essa onda de ataques aos nossos direitos, para defender o que levamos anos para conquistar e é nosso. Sem saúde não há vida e o direito à vida nos é fundamental.

 

Karen Simone D’Ávila Membro do Conselho Deliberativo da Cassi

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