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Artigo: A necessidade de garantirmos os conceitos pelos quais a CASSI foi criada

A CASSI E A SOLIDARIEDADE – TRANSFORMAÇÃO DE UM VALOR EM CUSTO.

Está mais do que na hora de se revisitar os conceitos pelos quais foi criada a CASSI em 1944. Dizem alguns: o tempo passou e as razões da criação precisam ser rediscutidos dentre eles a solidariedade por ser esse ponto uma das razões, se não a principal, do desequilíbrio financeiro de nossa Caixa de Assistência.

Passaram-se 63 anos durante os quais o princípio da solidariedade ficou intocável. “De cada um segundo as suas possibilidades, para cada um segundo suas necessidades”.

Já houve em 2007 (reforma estatutária) uma quebra parcial desse valor e

os associados passaram a pagar participação nas consultas e exames prejudicando os mais vulneráveis em situação de doença.

Infelizmente, a solidariedade é vista sob aspecto material, de mercado e não como valor de uma sociedade ou entidade.

A solidariedade é a expressão de sociedades desenvolvidas, expressão de ética nos relacionamentos coletivos e individuais.

Qual a razão de ter sido adotada e praticada na integralidade por 63 anos (até 2007)? Muitos daqueles que foram assistidos o foram dentro desse valor. Será que poderiam arcar com as despesas médicos hospitalares se assim não fosse? Qual a posição desses funcionários (a maioria aposentados) neste momento? E os funcionários atuais, com os salários aviltados, suportariam pagar (contribuição automática) porcentagem de seu tratamento?

QUANDO (SE):  mercantiliza a medicina; vê no doente uma fonte de ganho financeiro; não há uma relação de reconhecimento entre a operadora de saúde e os prestadores,  o que esperar do resultado?

Os planos de saúde comercializados no Brasil, despertam interesse de multinacionais da saúde que já adquiriram vários e operam com lucro. A custa de quem? Certamente o pilar de seus negócios não é a solidariedade e sim o lucro com essa atividade. O lucro representa basicamente o que? Diminuição dos gastos com a assistência (não autorização de exames e procedimentos), não reajuste dos valores recebidos pelos profissionais de saúde, alta precoce, não seguimento no pós procedimento.

Aqui reside um questionamento: “não é bem assim com meu plano ou seguro-saúde. Tive tudo de primeira quando precisei”. Aí, pergunta-se, quanto custa o seu plano ou seguro-saúde? Você poderia arcar com essas mensalidades?

Como a CASSI não tem lucro, por que está com dificuldades financeiras? Será que querem inviabiliza-la? Aumentar a entrada de recursos garantiria a saída dela dessa situação? As propostas mais a ação de governo com a CGPAR 23, fecharia a nossa entidade para os colegas mais novos?.

Quem irá apoiar os novos colegas nas suas necessidades se cada um cuida do seu interesse?

Quais ajustes serão, de fato, necessários?

Irão dar voz aos associados antes das votações?

Por Aloísio P. Cuginotti

Foi médico do CEASP SP
Diretor eleito da CASSI (1989-1992)

 

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